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Archive for the ‘Geral’ Category

Bienal do Rio 2011 – Breve Relato

13 set

Embora a Bienal tenha chegado e partido, não vou deixar de dar meu breve relato sobre minha presença lá. Infelizmente não foi dessa vez que fui como autor convidado, nem estava dando autógrafos dos meus dois livros.

O que posso dizer é que a bienal estava bastante concorrida, talvez por eu ter ido no último dia, ou não.

Centenas de estandes espalhados em três pavilhões apinhados de pessoas ávidas a consumir literatura como nunca, a despeito de dizerem que o brasileiro não lê e coisa e tal, mito que espero ser derrubado rapidamente quando a literatura digital for mais disseminada com preços mais atrativos. Aliás, achei a bienal pouco digital. Não havia muito sobre livros digitais e nos poucos lugares onde havia menção a literatura digital, os estandes estavam repletos de crianças, como se livros digitais fossem apenas infantis.

Também achei a Bienal pouco social e pouco temática. Em um mundo tão conectado não havia espaços dedicados a gêneros, o que poderia ter tornado a interação entre as pessoas mais fácil, juntando as diversas tribos em volta dos temas que gostam, mas isso pode ser uma sugestão para os próximos eventos.

No mais, tudo muito organizado, mas com poucas oportunidades para participar dos cafés literários, todos muito concorridos. Mais uma vez a demanda é muito grande por cultura, faltando transformar isso em mercado.

Embora eu tivesse uma proposta para lançar a versão impressa de Trama Mortal na Bienal, faltaram recursos. Quem sabe na próxima ou em outra Bienal.

Além disso, havia uns vinte estandes ocupados por escritores, possivelmente lançando de forma independente, alguns com apenas um título, outros com mais. De toda forma, eram bem pouco procurados, o que mostra que a Bienal é para iniciados e não para iniciantes. Mais uma coisa que precisa mudar: é preciso melhorar a exposição dos novos autores, pois do contrário ficamos reféns dos mesmos nomes e sobrenomes.

Por fim, acredito que foi uma grande festa literária com a participação massiva dos leitores.

Que venham as próximas!

 
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Boletim do vento #1

19 ago

Oi pessoal,

Resolvi criar esta série de postagens para ter um lugar onde falar do andamento de um dos meus projetos: “A Jornada pelo Caminho do Vento”. Embora eu estivesse imaginando que fosse demorar anos para concluir qualquer livro dessa trilogia (sim será uma trilogia, como em outras séries de fantasia) tenho tido boas idéias e o trabalho está fluindo.

Uma das primeiras preocupações foi definir o título dos três livros. Como eu já tenho uma boa ideia dos temas que serão abordados nos três volumes, já separei um título para cada livro. São eles:

A Espada de Sangue, Senhores e Escravos e, por fim, A Luta da Carne contra o Espírito. Cada um deles sempre precedido com “A Jornada pelo Caminho do Vento – Vol. ” mais o número do livro.

No momento, “A Espada de Sangue” segue bem e estou com boas idéias para o desenvolvimento do texto, então não devo demorar “anos” para terminá-lo.

Já tinha feito uma postagem aqui, que traz o primeiro capítulo.

Abraço.

 
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100 Sentimentos #5 – Ternura

08 ago

Para constar, o poema de hoje foi o primeiro que escrevi em minha vida. Não tinha nem quinze anos completos ainda.

Aí vai mais um para a coleção:

Ternura

Andei pelo jardim
A que chamo Vida.
À procura de um sentimento que poucas pessoas têm.

Nele, colhi um raio de sol
E entreguei-o ao vento
Para que ele o espalhasse pelo mundo inteiro.

Nesse jardim tão iluminado,
Peguei uma pétala da lua
E deixei que seu perfume encobrisse todo o mundo.

Nesse mundo perfumado,
Cortei uma fatia de nuvem
E com a água que ali havia pude então criar um mar.

Nesse mundo tão perfeito,
Plantei as estrelas,
Plantei sóis e luas, plantei meus sonhos.

Nos meus sonhos,
Encontrei você.
Onde mais, poderia eu, encontrar tanta ternura?

 

100 Sentimentos #4 – Anjo da Guarda

01 ago

Mais uma segunda-feira, mais um poema do meu projeto “100 Sentimentos”.

Apreciem, então:

Anjo da Guarda

Hoje você é meu anjo da guarda.
Eu aguardo que um toque seu me salve,
O corpo, a alma, a situação.

Meu anjo, só guardo boas lembranças.
Do seu carinho, da sua inocência,
Da transparência do seu sorriso.

Anjo, você guarda
os segredos do meu coração
Anjo, eu te aguardo,
você não tem explicação.

Um anjo de doce sorriso,
Lindos olhos, suave perfume.

Seus lábios guardam as palavras
que eu quero ouvir.
O quando, o onde, o porquê,
O por quem, o por quanto tempo.

Eu te aguardo a tanto tempo
E você aguarda o momento certo.
Eu não estou certo se mereço salvação,
Mas você está aqui e salvou a minha alma.

 

Qual título dar a um livro?

30 jul

Uma das maiores dúvidas para quem escreve um texto é: “qual título dar?”. É uma dúvida cruel e que pode fazer muita diferença para quem vai ler o texto. Um bom título pode aguçar a curiosidade do leitor pelo conteúdo do texto, embora um texto ruim vá afastá-los de qualquer maneira.

Para falar da minha experiência, tenho dois exemplos: “O Segredo de Carol” e “Trama Mortal”.

O título original de O Segredo de Carol era “A Casa de Carol”, pois eu pensava que era um livro sobre a casa da personagem principal. Depois de um tempo escrevendo, lá pelo sexto capítulo, percebi que o “segredo” era mais importante e acabei modificando o título do livro.

Trama Mortal inicialmente estava entitulado “assassino.com”, pois eu achava que o livro era sobre a descoberta deste tal assassino, depois eu mudei o nome do livro para “endereço mortal”, pois estava imaginando que o livro girava em torno deste tal “endereço”. Inclusive cheguei a divulgar o título na internet e até na entrevista que dei ao Jornal O Globo. Quando finalmente eu percebi que o que levaria a ação do livro para frente era o plano do assassino, então modifiquei o título para “Trama Mortal”, que se tornou o definitivo.

De certa forma, uma história se escreve sozinha e o título originalmente dado pode deixar de fazer sentido. É preciso estar atento se não há uma mudança na essência daquilo que você está escrevendo, o que seria um bom indicativo para a mudança do título.

Entre minhas obras em andamento, A Jornada pelo Caminho do Vento e Meia Chance ainda precisarão provar que merecem os títulos recebidos.

 
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100 Sentimentos #3 – Saudade de Você

25 jul

Dando continuidade à divulgação de meu projeto “100 Sentimentos”, segue o poema desta segunda-feira.

Apreciem, então:

Saudade de Você

Quando você partir,
Irá partir meu coração,
Em pedaços pequenos,
Suspirando saudade.

Que se mata com a lembrança,
De momentos tão gostosos,
Passados juntos, um do outro,
Um com o outro, para o outro.

Quando você partir,
Meu coração vai chegar,
E de mansinho me abater,
Pra tentar me levar até você,

Que estará longe dos olhos,
Mas próxima numa oração,
Que farei todo dia a Deus,
Para que vás em paz e
Voltes em segurança.

Quando você voltar,
Todas as flores vão se abrir,
Novamente meus lábios vão sorrir,
Pela felicidade de ver você,
Minha doce vontade,
Meu sonho sereno,
Numa noite de nós dois.

 

Quem tem medo de escrever?

19 jul

Escrever é um ato de coragem. Expor seus sentimentos, medos, opiniões, vontades, ideias e ideais é uma luta que se trava constantemente com o meio escolhido, mas enquanto o ato de dizer verdades já é um exercício de coragem o que se dirá do ato de dizer mentiras?

Quem escreve ficção acaba correndo um risco muito grande: o de ter sua imaginação confundida com suas ideias.

Como descrever um plano para assaltar um banco sem ser tomado como mentor de um crime? E a violência? E os abusos, torturas, mortes gratuitas? Como não ser tomado como sádico ou louco?

Confesso: tenho medo de escrever. Quando meu chefe ficou sabendo que meu último livro, Trama Mortal, era sobre um assassino serial, passou a me olhar meio “de banda”. No meu novo projeto, A Jornada Pelo Caminho do Vento, comecei a me podar desde o começo, com medo do que as pessoas poderiam pensar ou como poderiam reagir.

Quando li as trilogias “Fronteiras do Universo” de Philip Pullman (antes de me decepcionar com o terceiro livro) e “Millennium” de Stieg Larsson (com a qual também me decepcionei no terceiro livro), uma de minhas perguntas recorrentes não era “de onde eles tiram essas idéias”, mas “como eles tiveram coragem de escrever isso em um livro”. Essa coragem ao escrever foi um dos pontos fortes nessas duas obras, que fizeram muito sucesso. Da mesma forma, talvez minha decepção com o encerramento dessas duas trilogias deva-se ao fato de que, no final, seus autores não demonstraram a coragem de encerrar seus textos com a mesma coragem e fúria presente no começo das obras.

Atualmente, estou lendo “A Guerra dos Tronos” da série “Crônicas de Gelo e Fogo”, escrita por George R. R. Martin. Novamente sou assombrado pela pergunta “como alguém pode ter a coragem de escrever algo como isso”. Finalmente me dei conta de que era exatamente essa coragem que tornava a obra dele e de outros antes dele algo especial e muito superior à média.

Confesso que estava sendo covarde, não fazendo a mais sincera e honesta obra que poderia, então resolvi mudar a forma de escrever “A Jornada pelo Caminho do Vento”, deixando alguns medos e paranoias de lado para, quem sabe, ter meu leitor em algum momento se perguntando: “como ele teve a coragem de escrever isso?”.

 
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