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O Brasil não vai chegar lá

20 dez

Desculpem-me os mais otimistas, mas o Brasil não vai chegar lá. E não importa onde seja esse “lá”. Estamos muito longe.

Quando dizem que o Brasil vai se tornar a quarta maior economia do mundo não há qualquer mérito nosso. Nossas desigualdades continuam gritantes, nosso saneamento básico inexiste em grande parte do país, a violência continua solta em todas as regiões, a corrupção é quase um pré-requisito para as contratações e a educação muitas vezes é uma piada. Aliás, é exatamente por causa da educação que digo que não chegaremos lá.

Enquanto há muitas pessoas boas fazendo de tudo para levar nosso país para frente, há um contingente muito maior nos puxando para trás. Tenho exemplos. Colhidos em apenas dois dias.

Na última sexta-feira, estávamos eu e meu filho na rodoviária do Rio (cujas escadas rolantes estão sempre com defeito), depois de acertar um problema qualquer, resolvo comprar um bilhete para acompanhante (dois reais para poder ir com ele até a porta do ônibus). Fui até o guichê (o único disponível) em frente a um dos acessos às escadas que levam ao embarque e comprei o ticket. Voltei até meu filho e fomos até uma das duas entradas que levam à área de embarque. Apresentei meu ticket e a pessoa informou que eu deveria me dirigir à outra entrada, visto que meu ticket não seria válido naquela. Beira o absurdo: as duas entradas vão para exatamente o mesmo lugar, é apenas uma escadaria e algum iluminado pensou que seria interessante diferenciar os tickets entre as duas entradas, imediatamente tornando todo o processo mais caro e burocrático.

No dia seguinte, ao pedir uma pizza por telefone, fui informado que, como era minha primeira compra, eu deveria pagá-la com dinheiro e não cartão (fosse de débito ou crédito). Fico imaginando quem foi o administrador que pensou que realizar o primeiro pagamento em dinheiro traria mais segurança para o negócio. Será que se eu fizesse um pedido no dia seguinte eu já poderia ser visto com outros olhos, visto que não era minha vez e, pasmem, havia pago a primeira com dinheiro?

E não acaba ainda. Em plena Lojas Americanas, ao comprar dois jarros para água exatamente iguais, a atendente do caixa, após passar a primeira no código de barras, disse que eu deveria ir até a gôndola olhar qual seria o código da segunda, que havia perdido a etiqueta. Notem bem, as duas jarras eram iguais.

Tenho certeza que quem está lendo este texto já deve ter passado por algo semelhante ou pior. Por isso eu repito: O Brasil não vai chegar lá. Não temos o nível de educação necessária para reverter quadros como os expostos acima. Embora tenhamos muitas pessoas muito boas, elas não são páreo para essa massa que está aí em toda parte.

E não são apenas nas pessoas na ponta do atendimento, mas aquelas que estão por trás, tomando as decisões de negócios e procedimentos. Elas acreditam que estão indo pelo caminho certo sem nunca pensar a fundo como seus negócios funcionam ou deveriam funcionar.

É a triste realidade, mas espero ansiosamente que um dia provem que estou errado, que chegamos “lá”.