Há algum tempo, escrevi um artigo chamado “São os eBooks um perigo?” questionando o posicionamento de Richard Stallman, considerado o pai do software livre, e seus sete argumentos contra o formato proprietário dos livros da Amazon em seu Kindle, no qual ele afirmava que “eBooks são um retrocesso em relação aos livros impressos”.
Esse artigo gerou alguns comentários, inclusive um particularmente interessante de um leitor chamado Otto. Enquanto, em meu artigo, eu dizia que “Até onde sei você não precisa ser engenheiro mecânico para dirigir um carro. Dizer que o fato de você não conhecer a estrutura dos bits e bytes que compõem um livro vá fazer diferença para sua leitura não é apropriado.” em resposta ao item 4 do texto do Stallman: “O formato do livro é secreto, e somente um software proprietário e restritivo para o usuário pode permitir sua leitura.”
Não havia me dado conta, até ler o comentário desse leitor, que, embora minha resposta estivesse estruturalmente correta, a mesma não respondia corretamente ao argumento proposto e posso dizer agora que concordo com alegação feita, desde que mudado para uma posição menos radical.
Para explicar isso, preciso entrar em um conceito importante que vem junto com algumas perguntas. Quando nós compramos qualquer tipo de mídia física, seja um livro, um CD de música ou um DVD de filme ou de show, o que estamos comprando de verdade? De quem? E para quê? E quando compramos em formato digital, o que muda? É bom pensar bastante, pois as respostas podem não ser óbvias.
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