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Posts Tagged ‘política’

Dançando de olhos fechados à beira do abismo

02 ago

O mundo prendeu a respiração até quando deu. Os mercados ficaram em animação suspensa pelo suspense criado pelos congressistas americanos. O pior poderia acontecer a qualquer momento, embora o “pior” fosse inimaginável: um calote americano de parte de sua dívida. A possibilidade de um efeito em cascata que poderia fazer ruir os alicerces da economia mundial foi real até que finalmente foi costurado o acordo que resolveu o impasse tão divulgado pela mídia.

Diferentemente do Brasil, a política americana é dividida em apenas dois partidos: republicanos e democratas (o partido do presidente). Lá, não se oferece cargos em ministérios a partidos pequenos para que eles apoiem as ideias do Governo. Não há distribuição de benesses em troca de uns poucos votos de uns e de outros. O nosso sistema político é infestado de dezenas de pequenos partidos que não tem qualquer diferenciação entre si, exceto o ego de seus presidentes e a cor do chapéu que passam fazendo seus pedidos.

No sistema americano, e em muitos outros pelo mundo, bastam dois ou três partidos. Duas ou três direções possíveis. Esse modelo permite um verdadeiro embate de ideias, embora, no caso americano, isso tenha sido mais próximo a um cabo de guerra.

Os EUA, na figura de seus políticos, parecia dançar, de olhos fechados, à beira de um abismo profundo que poderia engolir a economia não só daquele país, mas de grande parte do mundo. No fundo, não do abismo, mas das intenções dos políticos de lá, havia uma guerra por poder, do mesmo tipo de poder almejado por nossos políticos e talvez por qualquer político em qualquer parte. O tipo de desejo pernicioso que ignora o bem da coletividade em prol do ganho pessoal.

Talvez uma diferença entre lá e cá, é que enquanto o Obama precisa fazer concessões políticas e ideológicas, aqui aceita-se um cheque em branco.

Na próxima vez que fizerem essa dança à beira do abismo, espero que pelo menos usem como fundo musical um daqueles tangos argentinos que tão bem expressam as tragédias humanas.